Ninguém faz greve porque quer
por Valdete Braga
Após um tempo de “trégua” estão de volta, infelizmente, um verdadeiro surto de greves pelo país. Universidades, IFES, bancos, correios, empresas de transportes, entre outros. Quando digo “infelizmente” é porque todo mundo sabe que a greve, em si, causa transtornos, seja em qual instância for. Ouvimos muito, em caso de escolas: “o prejudicado é o aluno”. É sim, não nego. Mas não é só ele. Todos são prejudicados, alunos, pais, os próprios grevistas... ninguém faz greve porque quer. A greve é o último recurso, depois de vencidas todas as tentativas de negociação.
Percebe-se um avanço em termos de compreensão da sociedade sobre o assunto. As pessoas não mais se deixam enganar apenas pelo que se mostra (ou não se mostra) na mídia. Elas atualmente se informam, participam, todos querendo uma sociedade mais justa.
Graças a Deus, salvo algumas tristes exceções, já se foi o tempo em que as pessoas consideravam greve como “coisa de quem não quer trabalhar” e outros comentários depreciativos que aconteciam no passado.
Hoje a sociedade entende quando a luta é justa; haja vista o apoio recebido pelo professores estaduais. Enquanto o governo colocava tropa de choque e disparava spray de pimenta em trabalhadores da educação, o povo entendia as suas reivindicações.
O ideal seria não precisarmos da greve. Mas, se ela é necessária, precisa ser levada a sério e principalmente feita com seriedade. Existe um zun-zun-zun de bastidor que os servidores federais estão sendo pressionados a recuarem. Como faço parte da categoria, desta eu posso falar com propriedade. Recuar agora seria no mínimo envergonhador. Respeito opiniões contrárias, respeito colegas que são contra a greve, afinal democracia é isso, respeito à diversidade de opiniões.
Mas existe um ditado antigo, que muitos ainda conhecem que diz “quem não pode com mandinga não carrega patuá”. Se for para voltar sem sequer sermos recebidos para negociação, melhor seria não termos entrado. O fato de eu estar absolutamente solidária ao movimento não impede o meu bom senso. Se a decisão da maioria for pelo retorno, vamos retornar, fazer o que? Mas que vai ser um fiasco, lá isso vai.
Que fique claro: não gosto de greve; acho que ninguém gosta. Mas há tanto remédio amargo que a gente não gosta e é obrigado a tomar quando está doente...
A Educação está doente no país. Não se trata apenas de salário, o que também é justo, mas de uma série de reivindicações necessárias e urgentes. Se a greve é o último recurso, o remédio amargo para a sua melhora, precisamos ser fortes e não ceder ao primeiro bate pé do Governo.
Me poupem dessa conversa de “retornar para negociar”. Se os governantes estivessem com intenção de negociar, por que não o fizeram antes? Se formos primeiro voltar para depois negociar, então não deveríamos ter entrado. Isso não existe e todo mundo sabe que isso não existe. Não sejamos hipócritas. Ninguém nos forçou a entrar e quando o fizemos sabíamos das dificuldades. Ninguém quer prejudicar alunos, sociedade ou a si mesmo. Só queremos – e merecemos – respeito e educação de qualidade. Isto é o oposto de prejudicar, é pensar no melhor para todos. Tomara esta seja a visão da maioria.