O caso do zero bobo (Zé Henrique Neves)
por José Henrique Neves
A professora Ana Queiroba estava ensinando aritmética para os alunos do Terceiro ano primário, antigamente existia primário, no Grupo Marília de Dirceu, em Ouro Preto. Num dado momento ela chamou a aluna Carminha para fazer um exercício no quadro e Carminha aproximou-se do quadro com uma cara de quem não tinha conhecimento necessário para fazer aquele exercício, meche daqui e enrola dali até que num determinado momento a professora não se conteve e disse para Carminha: – o Carminha que está fazendo ali aquele zero bobo. Pedrinho não se conteve e disse: – ô Carminha tira o zero bobo e coloca um zero esperto. A professora Ana era uma mulher muito alta, bem branca, de faces avermelhadas e muito brava. Apenas com um olhar ela fazia os alunos tremerem a perna. Com uma fúria que lhe era peculiar a professora Ana partiu para cima do Elísio, pensando que este era o autor da gracinha, este a se ver em apuros correu, pulou pela janela e como um corisco saiu correndo sem olhar para trás. Naquela época o aluno não tinha chance de se explicar, o professor sempre estava coma razão e, se chegasse a casa com uma história dessa era provável que além do medo de enfrentar a professora levaria uma tremenda coça. Para não enfrentar a ira da professora Ana tratou de pedir aos pais a transferência para o D. Pedro II, mas como justificar o pedido de transferência. Bem esse é um outro causo que só nós dessa época podemos imaginar o apuro de Elísio e a estória mirabolante que terá de inventar.