“Parabólica”- Luiz Henrique Rietra
Furacão Irene - Terrorismo natural
“Parabólica” (por Luiz Henrique Rietra Garcia-Calça) - Direto de New York
Nova York, dia 24 de agosto , quarta-feira, um dia normal, uma tarde normal até que senti minha cama extremecer. A porta do meu guarda-roupas abria e fechava e um lampeão balançavam. Sem saber do que se tratava, joguei meu lap top na cama, peguei meu celular e logo liguei para um amigo achando que algo sobrenatural estaria acontecendo no apartamento. Terremoto? Foi a idéia que sequer passou por minha cabeça naquele momento. Ataques? Nem passou também, pois sei que estamos seguros com relação a este tipo de coisa. Sei apenas que eu tremi de medo, de pavor. Vinte segundos de tensão, até que ao ligar a TV na rede CNN, esta já informava o que havia acontecido, porém ficamos sem celular e não consegui falar com ninguém por mais de meia hora. Na noite deste mesmo dia dormimos mal. O medo de um novo abalo nos rondava .
Porém, algo mais estava a caminho. Desta vez Irene; nome dado ao primeiro furacão deste ano. Ao sêrmos informados de que este se dirigia rumo a costa leste dos EUA, não acreditávamos que chegaria com fúria por aqui. Mas o resultado foi diferente e quando os governadores e os prefeitos de vários “estados” começaram a alertar a população, um novo furacão surgiu. Era um furacão humano que invadiu e criou filas em mercados e lojas. Todos foram ás compras, inclusive eu. Galões de água, leite, comida, pilhas para lanternas (temíamos um black out). Em poucas horas as prateleiras dos mercados estavam vazias ou semi-vazias. As filas gigantecas, a falta de carrinhos e cestos para carregar os produtos até o caixa aumentavam mais os nervos. Em vários pontos a polícia se fez presente (grande vantagem daqui a qualquer hora). Os serviços de emergência aqui funcionam também e como funcionam. É de dar inveja a qualquer país.
E Irene começou a dar seus primeiros sinais ao se aproximar de Nova York. Uma chuva começou branda e foi aumentando, aumentando bastante até que os ventos fortes deram o ar da desgraça. Árvores balançando, semáforos balançando e em muitos pontos, o alagamento tomou conta. Os dois rios que são braços de mar transbordaram. A parte baixa de Manhattan inundou. A área de Long Island estava inundada (região esta que nos leva ás praias e que conheço bem). Alguns prédios em Manhattan tiveram o basement (uma espécie de porão) tomados pela água. O serviço de trem subterrâneo parou. O Lincoln Tunnel que liga Nova York a Nova Jersey inundou também. Porém as pontes, os túneis foram evacuados tendo inclusive sido bloqueados seus acessos. Os estragos foram grandes, as perdas materias foram grandes e o número de mortos foi bem baixo.
Já enfrentei aqui tempestades de chuva, de gelo, de neve como a nevasca que caiu em 2003, 2006 e 2011, além do black out de 2003 quando ficamos sem energia e a cidade parou por completo. Desta vez, um tremor seguido por um furacão.
O mundo está mudando. A natureza nos dá seus sinais de que algo precisa ser feito e nós seguimos com os nossos braços cruzados sem nada fazer, sem nenhuma atitude tomar.
Passou da hora de revermos nossos conceitos no que tange a natureza do nosso planeta TERRA.