São Bartolomeu num dia de domingo, dia de festa
por Ronald de Carvalho Guerra (Roninho)
Hoje é dia 03 de janeiro de 2010, dia de domingo. Muitas coisas acontecem aos domingos e hoje de certa forma não será diferente. O primeiro domingo deste ano novo, então um novo domingo como tantos outros.
Primeiro domingo do ano pode ser diferente, os primeiros dias para se estabelecer metas. Um novo ano de compromissos com a qualidade de vida, de acordos para a redução de emissão de carbono na atmosfera. Mas continuamos os mesmos, consumindo muito mais recursos naturais, sem pensar nas futuras gerações.
Sabe, o fazer a diferença será sempre um ato subjetivo. Depende do olhar, de como se analisa. Domingo de sol, chuvoso e continua sendo domingo. Domingos alegres, tristes, festivos, domingo de ficar consigo mesmo, domingo da preguiça, domingo de novos afazeres e de se estabelecer mudanças.
Hoje será o domingo da sua intenção e amanhã também.
Fico pensando neste domingo ensolarado de como tudo está mudando rapidamente e de como não damos conta disso. Muitas vezes nem daquilo, às vezes grudado aos olhos. Recebemos constantes informações por todos os lados, a velocidade ultrapassa a “luz”, em bytes, gigas, digital fullhd, já nem sei mais o que?
Continuamos anestesiados, inertes, rodando no próprio umbigo, rodando, rodando, querendo morder o próprio rabo. Ah, primeiro mordemos o rabo dos outros. Canibais civilizados, neoliberalistas, homo sapiens. Somos tão evoluídos e tecnológicos.
Hoje é dia de domingo, eu aqui no meu cantinho, escolhi viver, sou feliz. Reciclo, sou ecológico e ainda fazendo as mesmas coisas? Preciso rever os meus conceitos, recusar mais.
Sabe, qual será a perspectiva de quantos domingos teremos como estes, ensolarados, virtuosos, o paraíso mora ao lado? Nem estou ouvindo o barulho das motos. Motos chatas, nervosas acelerantes, libidinosas. Nem estou ouvindo o som dos carros, os mega wats incestuosos.
Acho que por alguns momentos estou no paraíso. Inebriado com meus pensamentos. Não quero nem abrir a porta, perder este silêncio. Quantos serão dias de domingos teremos pela frente? Quantas décadas se fecharão com a possibilidade do silêncio e de paz? “Sei que irei morrer, não sei o dia, não sei a hora.” Estou falando da vida que fica, da qual eu sou um pedacinho disso tudo, deste coletivo, pedacinho pequenininho, insubstituível. Companheiros, nós precisamos fazer alguma coisa, a vida é maior, pujante, maravilhosa, reflete a obra dos homens, com certeza a vida é maior que os homens. E então?
Agora, abri a porta deste novo quarto construído em minha casa, um cantinho do céu onde coloquei o computador e sentei displicentemente a sua frente. Vou tomar um café na cozinha, sentar ao lado do fogo na lenha, me inebriar com o verde, moldura balançando ao vento deste dia ensolarado, me enamorar com a diversidade dos cantos dos pássaros no quintal. Ando um pouco mais, passo a porta e me dou conta que São Bartolomeu está virando cidade. Cidade, rica diversa, formada pelas pessoas. Então me dou conta do som alto, dos carros, da falta de criatividade, da opulência voraz. A vida com certeza é mais simples e bela, mais verde, mais água cristalina e mais murmurante. Então vejo muito a fazer neste domingo e nos próximos dias. Queremos um mundo melhor de se viver, me dê a sua mão. São Bartolomeu não pode perder as suas origens, a sua identidade, o patrimônio cultural e natural, o Rio das Velhas. Muitos serão os domingos queremos pela frente, aqui e no planeta. Muito prazer em viver. Precisamos rever nossos valores, acreditar e convencer mais. Não quero os dias comuns e a crise que virá. Agora eu sei, depende de nós. Vamos realmente festejar a vida!
São Bartolomeu
Arraial minerador setecentista, São Bartolomeu nasceu às margens do Rio das Velhas, os caminhos que o separam de Ouro Preto, foram marcados pelos tropeiros.
O cheiro do doce de goiaba, laranja, figo, leite e outros ficam no cotidiano desta gente. Seus quintais plantados lembram a tradição agrícola de antigo celeiro da região.
São Bartolomeu guarda a sua natureza, com belíssimas cachoeiras, matas e trilhas, em sintonia com a sua história: A “rua” formada de velho casario colonial e imponente igreja é também um dos conjuntos mais bonitos do interior de Minas.
A comunidade discute a importância de suas reservas e a ocupação do solo. A sede do distrito foi valorizada por um tombamento municipal e o modo tradicional e familiar da produção dos doces foi registrado como patrimônio imaterial de Ouro Preto.
Feliz da cidade que tem seus valores preservados pelas pessoas que a amam.
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Ronald de Carvalho Guerra (Roninho) Assessor Especial Secretaria Municipal de Meio Ambiente - Prefeitura de Ouro Preto. Gerente da APA Estadual da Cachoeira das Andorinhas - IEF. Rua Xavier da Veiga, 501A Centro - Ouro Preto - MG - 35400.000. Tel: (31) 3559 33 56 Fax: (31) 3559 32 53 Cel: (31) 8432 8819
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