Ouro Preto, 6 de Setembro de 2010
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Semana Santa em Ouro Preto. Festa barroca em tempo de fé.

A Prefeitura de Ouro Preto, por meio de vários setores, se preparaou a fim de receber as cerimônias da Semana Santa.

A cidade celebra a data em quase todos os distritos, além da tradição católica no centro histórico, na Bauxita e no bairro Alto da Cruz, em conjunto com o Padre Faria.

Serviços como trânsito, abastecimento de água, de energia elétrica, Saúde e limpeza pública estão em alerta permanente para prestarem o melhor serviço possível.

Porém, é necessária a compreensão da população, principalmente,com relação a limpeza da cidade e aos horários de coleta de lixo.

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Semana Santa em Ouro Preto
por Angelo Oswaldo
- Prefeito de Ouro Preto

 A Semana Santa é Ouro Preto em pleno estado de graça. No altar das montanhas de Minas, a cidade celebra sua festa maior, na qual arte e fé se confundem e projetam, numa única expressão, o sentimento mais profundo do povo. Há mais de três séculos, Ouro Preto rememora a Paixão de Jesus Cristo com a dramaticidade barroca da liturgia e a emoção criadora da arte. É este momento de singular transcendência que agora tem início, culminando na sexta-feira santa, dia 2, e no domingo de Páscoa, dia 4 de abril.

A cidade de Ouro Preto nasceu sob o signo da fé. Em 24 de junho de 1698, dia de São João Batista, missa celebrada pelo bandeirante padre João de Faria Fialho marcou a chegada da bandeira de Antônio Dias de Oliveira à sonhada região do Ouro Preto, ouro recoberto por camada escura de óxido de ferro. Logo os arraiais se multiplicaram na grande garganta formada por duas serras monumentais, e com a criação de Vila Rica, em 8 de julho de 1711, veio também a organização eclesiástica, surgindo as paróquias do Pilar de Ouro Preto e da Conceição de Antônio Dias.

A Semana Santa tornou-se o principal acontecimento na vida da metrópole do garimpo, que fervilhava na agitação típica de um eldorado. E a festa religiosa se viu também atingida pelos conflitos que se alastravam entre a população, em meio à febre do ouro. Separados pelo morro de Santa Quitéria, sobre o qual se estende a Praça Tiradentes, paulistas pioneiros e portugueses senhores da colônia firmaram forte rivalidade. Na paróquia de Antônio Dias, concentraram-se os oriundos de São Paulo, desbravadores do sertão e responsáveis pela descoberta das minas. Na freguesia do Pilar, instalada no Ouro Preto propriamente dito, ficaram os portugueses, reinóis e donos do território. Para evitar as permanentes contendas entre jacubas (moradores do Antônio Dias e comedores de farinha) e mocotós (habitantes do Pilar regalados com fartura de carne), as Paróquias sabiamente decidiram estabelecer alternância na celebração da Semana Santa. A cada ano, uma delas assumiria a direção dos festejos, evitando atritos.

Este ano, por ser par, segundo a tradição de quase três séculos, a presidência da Semana Santa cabe à Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da cidade, tendo à frente o padre Marcelo Moreira Santiago, seu pároco. Mas Ouro Preto, como um todo, se movimenta e colabora para que a Semana Santa seja, sempre mais, o comovente testemunho da fé que ilumina a alma de seu povo.


Matriz e Rosário

As principais cerimônias acontecem na Matriz do Pilar e na Igreja do Rosário. O templo paroquial do Fundo de Ouro Preto nasceu de pequena ermida erguida pelos pioneiros, no começo do Setecentos, e ganhou dimensão portentosa, com o crescimento do bairro no qual se concentravam os portugueses. A paróquia, com vigário colado, foi instituída em 1712. A grande talha barroca dos altares laterais conduz ao belo retábulo-mor, obra posterior do notável mestre da talha joanina, Francisco Xavier de Brito. O Museu de Arte Sacra, nas salas da sacristia e da cripta, guarda a riqueza artística do Pilar.

A Igreja do Rosário é, do ponto de vista arquitetônico, o mais belo exemplar do estilo barroco em Ouro Preto. As formas elípticas que a desenham evocam a linha curva do italiano Boromini. Um galilé (varanda embutida) se destaca na fachada principal. Seu adro será o ponto focal das celebrações, como o Lava-Pés, na quinta-feira, e o Descendimento da Cruz, na sexta-feira da Paixão. O Largo do Rosário fica repleto de emoção.

As Irmandades

Com suas opas e hábitos tradicionais, as irmandades de Ouro Preto foram fundadas no século XVIII e continuam atuantes, marcando presença imprescindível nas solenidades da Semana Santa. Trata-se de organizações religiosas laicas, surgidas nos primórdios da civilização mineradora, para que nelas se compartimentasse a população inteira. O rei de Portugal impediu que entrassem nas Minas as ordens religiosas conventuais, que poderiam fazer de seus mosteiros inexpugnáveis focos de contrabando de ouro e diamantes. Com isso, impôs aos mineiros a adesão a irmandades que sustentaram o culto em suas respectivas capelas. Foi uma espécie de privatização do serviço religioso, que era monopólio do Estado.

Havia a irmandade dos brancos nascidos em Portugal, dos mazombos, ou brancos brasileiros, dos negros livres, dos escravos, dos pardos e de variadas categorias profissionais, à maneira das corporações da Idade Média: carpinteiros, músicos, militares, alfaiates.

Logo a disputa e a emulação levaram as confrarias a uma insistente busca de sinais exteriores de prestígio. A arquitetura dos templos e a riqueza da fábrica (o conjunto dos bens móveis da igreja), a qualidade das alfaias e a abundância de ouro e prata, entre outras cintilações, assinalavam o status de cada irmandade. E, ainda hoje, cruzes processionais, lampadários, tocheiros, varas, navetas e turíbulos de prata saem dos museus sacros para as procissões da Semana Santa, abrilhantando o comparecimento e o desfile das imperecíveis irmandades ouro-pretanas.


Procissões na ladeira


Os primeiros cristãos realizavam procissões na Roma antiga, apropriando-se do ritual dos préstitos de triunfo do império como demonstração de sua fé e de sua força. As procissões atravessaram os séculos e o oceano. Chegaram às montanhas de Minas Gerais com as primeiras bandeiras. Em maio de 1733, quando da inauguração da Matriz do Pilar, realizou-se a mais famosa de todas as procissões da América portuguesa, segundo testemunha o cronista Simão Ferreira Machado, autor do livro “Triunfo Eucarístico”, publicado um ano mais tarde, em Lisboa, para memória do admirável acontecimento.

As procissões de Ouro Preto são famosas pela piedade e pelo encanto que as envolve. Subindo e descendo ladeiras, elas sugeriram belos poemas a autores como Alphonsus de Guimaraens, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Cecília Meireles e Henriqueta Lisboa.

Marchas e dobrados são executados pelas duas bandas de música de Ouro Preto, a Sociedade Musical Senhor Bom Jesus de Matosinhos, Banda do Rosário, e a Sociedade Musical Senhor Bom Jesus das Flores ou Banda do Alto da Cruz. O Coral e Orquestra do Pilar, sob a regência de Alcindo Alves, se apresentam nos atos litúrgicos, tendo a colaboração de vários convidados.
 

A grande música


A civilização do ouro estimulou o desenvolvimento da atividade musical em todas as regiões das Minas Gerais. O compositor José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita foi regente da orquestra do Pilar de Ouro Preto e tocou no órgão que existiu na Matriz. João de Deus de Castro Lobo, um dos maiores autores do período, nasceu em Vila Rica, onde também atuaram nomes importantes como Francisco Gomes da Rocha, Marcos Coelho Neto e Inácio Parreira Neves. O Museu da Inconfidência conserva notável conjunto de partituras do século XVIII, prova da riqueza da produção colonial mineira.

Peças desses autores se fazem ouvir nas cerimônias da Semana Santa, desde a sexta-feira véspera do Carnaval, quando teve início o Setenário das Dores de Nossa Senhora, na Matriz do Pilar. Em sete sextas-feiras, até a véspera do Domingo de Ramos, orquestra e coro evocam as sete dores de Maria Santíssima com a música herdada do ciclo do ouro.


A Verônica


O Evangelho nada esclarece sobre o episódio da Verônica, que teria enxugado o rosto de Jesus, durante a caminhada para o Calvário. Mas a tradição cristã fez de Verônica uma das personagens mais emocionantes da Semana Santa. O nome da santa mulher é uma criação do imaginário cristão. Vero ícone quer dizer verdadeira imagem, isto é Verônica.

Ela quis socorrer Jesus, enxugando-lhe a face coberta de suor e sangue, e viu que o sudário guardou, nele impressa, a sagrada imagem. Acredita-se preservado na catedral de Turim o linho no qual Jesus teria sido envolto no sepulcro, tendo permanecido impressa no tecido a imagem de um corpo.

Durante a Procissão do Enterro, a Verônica para e canta, em cima de um mocho (tamborete), a sua advertência a todos os que transitam pelas vias da cidade: O vos omnes qui transitis per viam, attendite et vidite si est dolor sic ut dolor meus... (O vós todos que transitais pela rua, parai e vede se há dor como a minha dor). As Eús são as carpideiras que, atrás da Verônica, lamentam, com seu pranto, a morte do Senhor. As capelas dos Passos, diante das quais se reza o ofício das procissões, são cinco: Ponte Seca, Rosário, Rua São José, Praça Tiradentes e Antônio Dias.


Ornamentação das ruas


Cronistas do século XVIII e viajantes do século XIX registram, em suas páginas, a magnificência das festas religiosas em Ouro Preto. Vem daquele tempo o costume da ornamentação de fachadas e ruas para a passagem dos soleníssimos cortejos. Na Sexta-Feira Santa, antigamente Sexta-Feira da Paixão, à noite, as casas acendem velas em lanternas, nas fachadas, para a Procissão do Enterro. No século XVIII, todas as fachadas deviam ostentar luminárias.

Na noite de Sábado Santo e na madrugada do Domingo da Ressurreição, a cidade se mobiliza para confeccionar o tapete de flores. Muitos turistas se engajam na tarefa. Este ano, ele ligará a Matriz do Pilar à Matriz de Antônio Dias, restabelecendo o trajeto tradicional, pelo centro da cidade. Grupos de seresta, na madrugada das Aleluias, desfilam ao longo do tapete, saudando os que o confeccionam e anunciando a alegria da Páscoa.
 

Queima do Judas

Tradição da Semana Santa de Ouro Preto é ainda a Queima do Judas. A legendária malhação, no entanto, mais que evocação do traidor, é uma festa ruidosa e divertida, que atrai sobretudo as crianças. Uma comissão de moradores do Pilar e do Rosário se encarrega de promover a Queima do Judas junto à Capela do Senhor do Bonfim, na velha rua da Glória, hoje rua Antônio de Albuquerque, domingo à tarde. Com balas e amendoim para a criançada.

As igrejas e museus permanecem abertos para a visitação cultural, durante a Semana Santa, bem como a Casa da Ópera, o mais antigo teatro em atividade nas Américas. O Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, com sua coleção mineralógica sem igual, o Museu da Inconfidência, com o panteão dos conjurados, a Casa dos Contos, a Maria-Fumaça para a cidade de Mariana, o Parque Horto dos Contos e o Parque da Cachoeira das Andorinhas, as pousadas rurais e os distritos, como Lavras Novas, a 1.510 metros de altitude, são atrativos que igualmente tornam a cidade inesquecível.

Foto: Neno Vianna

 

Programação
:

SOLENIDADES DA SEMANA SANTA
ARQUIDIOCESE DE MARIANA
PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO PILAR
OURO PRETO – 2010

 
QUINTA-FEIRA SANTA - Dia 01 de Abril


Celebração da Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio
 

17h - Missa Solene Cantada na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar presidida por sua Eminência Revma. Sr. Dom Serafim Fernandes de Araújo, DD. Cardeal da Igreja e Arcebispo emérito da Arquidiocese de Belo Horizonte. Sermão recordando a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Participação do Coral Cristo Rei – Regência Cônego Agostinho de Lourdes Coimbra. Desnudação dos Altares da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar. Trasladação do Santíssimo Sacramento para a Capela do Senhor do Bom Fim E Agonia. Adoração do Santíssimo Sacramento até as 20 horas, sob a Coordenação dos Ministros Extraordinários da Eucaristia.

18h – Missa na Igreja Senhor Bom Jesus de Matosinhos, presidida pelo Revmo. Sr. Cônego Jadir Trindade Lemos.

Confissões: Das 9h às 13h30 na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar.

Cerimônia do Lava-Pés e do Mandatum


20h30 – “Cerimônia do Lava Pés e Sermão do Mandatum” pregado pelo Exmo. e Revmo. Sr. Dom José Belvino do Nascimento, bispo emérito da Diocese de Divinópolis – MG  no Largo Da Igreja Nossa Senhora Do Rosário. Participação do Coral São Pio X – Regência Geraldo Magela Murta
 

SEXTA-FEIRA SANTA - Dia 02 de Abril

Celebração da Paixão e Morte do Senhor

6h – Caminhada da Penitência e celebração da Via-Sacra, saindo da Capela de São Cristóvão até o Morro da Forca, sob a Coordenação da Congregação Mariana.

9h – “Sermão das Sete Palavras de Cristo na Cruz”, na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar pregado pelo Revmo Sr. Pe. Edmar José da Silva, Diretor da Comunidade Vocacional da Filosofia, Vigário Paroquial de Santa Ifigênia. Participação do Coral Cristo Rei - Regência Cônego Agostinho de Lourdes Coimbra de Oliveira.

15h – Solene Ação Litúrgica em Memória da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Sermão pregado pelo Revmo. Sr. Pe. Luiz Antônio Reis Costa, Chanceler do Arcebispado de Mariana e Capelão do Educandário Santo Antônio – Ouro Preto. Veneração coletiva da Cruz. Canto dos Impropérios pelo Coral Santana – Regência: Luiz Barbosa Filho. Comunhão Eucarística dos Sacerdotes e fiéis.

20h - Largo da Igreja Nossa Senhora do Rosário - Descendimento da Cruz. Sermão pregado pelo Revmo. Sr. Pe. Tarcísio Sebastião Moreira, Pároco de Cristo Rei e Coordenador do Departamento Arquidiocesano para as Obras Sociais. Procissão do Enterro encerrando no Santuário Nossa Senhora da Conceição. Participação especial do Figurado Bíblico, Anjos de Prata e Anjinhos, Irmandades, Confrarias e Ordens Terceiras de Ouro Preto. Verônica: Maria de Castro Magalhães; Carpideiras: Efigênia de Paula Pascoal, Fabiana Dias Romero, Rubênia Gonçalves Amaro Alves, Magda Pilar Monteiro, Maria dos Anjos Araújo e Betânia dos Anjos do Carmo.

Confissões: Das 9h às 11h30 na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar e na Capela Senhor do Bom Fim e Agonia.


SÁBADO SANTO - Dia 03 de Abril

Celebração da Vigília Pascal

21h – Solene Vigília Pascal na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar. Bênção do Fogo Novo, do Círio Pascal e Canto do Exultet. Bênção da Água. Renovação das Promessas do Batismo. Missa Solene presidida por Dom Francisco Barroso Filho. Participação Coral de Santana – Regência Luiz Barbosa Filho.

Confissões: Das 9h às 11h30 na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar e na Capela Senhor do Bom Fim e Agonia.


DOMINGO DA RESSURREIÇÃO – Dia 04 de Abril

7h - Missa na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, presidida pelo pároco Pe. Marcelo Moreira Santiago e concelebrada pelos sacerdotes que auxiliam as festividades da Semana Santa. Participação do Coral Nossa Senhora da Assunção – Regência Maria da Glória dos Anjos Felipe

8h30 - Procissão da Ressurreição da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar para o Santuário Nossa Senhora da Conceição. À chegada, Solene Bênção do Santíssimo Sacramento. A seguir, no interior do santuário, Missa festiva

9h – Missa na Igreja Senhor Bom Jesus Matosinhos, presidida pelo Revmo. Sr. Cônego Jadir Trindade Lemos

16h – Missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário.

17h – Missa na Capela de São Sebastião.

19h - Missa Solene Cantada na Igreja Matriz Nossa Senhora Do Pilar, presidida por Dom Francisco Barroso Filho, com sermão alusivo pregado pelo Revmo. Sr. Pe. Lauro Sérgio Versiani Barbosa, Reitor do Seminário São José de Mariana. Coroação da Imagem de Nossa Senhora. Te Deum. Participação do Coral Francisco Gomes da Rocha - Regência: Alcindo Alves Filho. 


Dia 04 de abril às 15 horas ao lado da Capela do Senhor do Bom Fim e Agonia, Queima do Judas e a Marcha da Bandalheira.



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